6 de outubro de 2011

Crônicas subversivas

A gente acorda um dia, de manhã bem cedinho, cinco e pouco e percebe que já está claro. Continuamos deitados por mais alguns minutos, mas penso: se já acordei, pra que enrolar debaixo do edredom? Ainda mais pelos acontecimentos do dia anterior em que foram quase que entre choros e rangeres de dentes.

Isso não é profecia, é fato da vida real. Às vezes, percebo que adoro um melodrama. Quem é que não faz uma novela mexicana de vez em quando? Eu faço e não me envergonho disso. Gosto de chorar, fazer um drama todo achando que nada faz mais sentido. Quero cuidado, um olhar amigo, alguém que levante meu astral. Isso é humano e ninguém pode tirar esse jeito um tanto que excêntrico de se viver um, dois, ou seja, lá quantos dias forem.

De um tempo de tantas segregações, onde se salva quem puder, é bom a gente parar e chorar. Colocar as lágrimas em dia. É normal em um momento de nossa existência que a gente baixe a guarde e se sinta um humano fraco, carente, solitário.

Pois bem. Vivo esses dias cinza quase que sempre e me orgulho disso, pois é assim que encontro a coragem de levantar depois de um dia e uma noite cheia de pensamentos hostis e perceber que ainda quero continuar. Isso está bem longe de sintoma de depressão, é só um eu precisando de um tu ou de vós ou de todos aqueles que me oferecem seus ombros para que eu possa chorar.

Negar a fragilidade é atestar que se é idiota. Todo mundo carece de um olhar profundo nos olhos, de ouvir palavras positivas e até aquelas: acorda! Amigos sabem fazer isso muito bem. Mas amigos de verdade sabem? Eles se preocupam quando tu dizes que está infeliz. Enche a sua bola e te mostra que a vida continua. Dão-te o direito de chorar e até sustentam a tempestade em copo d’água, pois só quem é humano consegue entender que o outro está vivendo sua humanidade.

Sou em primeira pessoa, muito inconstante. Uma hora eu gosto. Na outra eu não gosto tanto assim. Se rio de manhã, a noite pode brotar lágrimas de rasgar o peito. Faço mesmo tempestade em copo d’água, grito que estou infeliz pra caralho, digo que quero morrer. Que arrastar sofrimento não vale de nada. Mas daí, eu no ápice de minha sanidade mental vejo que passou a tempestade e chegou à calmaria e o que me era amargo, tornou-se doce ou no máximo propício a se beber. O problema é que depois do azedo, a gente o joga fora. Temos que beber e não se dar ao luxo ao gosto que as coisas podem ter. Toda nossa lágrima jogada fora é um mero pressuposto de ignorância. Juntar os retalhos é constituir novos lençóis psíquicos-físicos-emocionais-afetivos-sexuais...

De fato, o choro pode durar uma noite e a alegria vem de manhã. Ou no máximo uma satisfação. Pois se bem lembrarmos como estava nosso dia ontem, podemos tentar iniciar o outro de maneira diferente. Dar mais bom-dia, abraçar quem a gente diz que ama e é tudo em nossa vida e dar valores aos verdadeiros amigos. Hora de despachar as mazelas no lixo que se chama adeus. Dar um basta ao que nos traz infelicidade não adianta, isso é um sentimento vagabundo que uma hora ou outra vai nos voltar a atormentar. Mas dizer: infelicidade, hoje não. É isso que a vida exige de nós. Um pouco mais de respostas. E um pouco mais de questionamentos também.

Não se vive uma vida sem se arranhar, menos ainda sem se debulhar em lágrimas. Faz bem para todos e é de graça. Chorar é um dom. É outra coisa que nem todo mundo mais sabe fazer. Preferem manter-se sempre em posição de combate, quando já perdemos a guerra para nós faz tempo.

Seres humanos: chorem, façam de suas vidas uma novela mexicana. Alguém vai assistir e vai querer te ajudar. Vai ter os que além de ver, não vão ficar no querer e vai bater a sua porta e esticar as mãos para te tirar do meio do furacão, mas também vão sobrar aqueles que simplesmente vão torcer para que você não se levante mais e é tendo essa consciência que a gente demonstra nossa fraqueza, mas quando eles menos esperarem, a gente levanta e mostra que se pode reerguer de novo.

Nossa vida é uma novela da vida real: a gente sofre, mas também ri. Apanhamos, mas também batemos. Somos nós os mocinhos, mas também os grandes vilões.

Dedico: Natália Lima e Bruna Barros

12 comentários:

Agadê Estena disse...

Curti o post, legal o seu blog :D

Carol disse...

Oi!Caramba!Me encontrei no texto acima!E em muitos outros textos que tem por aqui!!!
Não tem como não seguir seu blog!

Beijossss

http://blushbatom.blogspot.com/

Brasil Sem Preconceito disse...

Como disse a Carol, também me encontrei no seu texto. Sempre muito talentoso... Chorar e rir é algo tão comum, natural... Como disse uma personagem que eu gosto muito: "eu sempre me sinto melhor depois que eu choro". Eu também... Às vezes procuro guardar as lágrimas... Colocar tudo em uma caixinha imaginária (Bree - Desperate Housewives - Feelings, rs) e esquecer que estou mal, triste... Mas isso não faz bem, porque quando o choro vem mesmo, vem tudo junto e acaba com o coração... O bom é despejar logo tudo de ruim, e isso um bom choro faz e muito bem. Sempre vi que depois da tempestade realmente bem a bonança, e não é simplesmente um "provérbio". Eu que o diga em relação a altos e baixos, tenho e muito! hahaha Parabéns novamente e grande beijo!

Mumu disse...

Nada melhor do que ler algumas palavras sinceras, não é mesmo?
Genial o seu Blog, desde já seguindo.

Kiko Lemos disse...

Todos adoramos um pouco de drama, faz até bem para o ego certas vezes. Ficamos debaixo do edredon, mas nem sempre é a melhor escolha. Então viva Maria do Bairro das nossas pequenas novelas mexicanas! =)

Renata disse...

Chorar não quer dizer ser fraco, e sim assumir que precisamos de alguém, de um colo quem sabe, uma palavra qualquer que plante uma sementinha do bem, precisamos de cuidado, atenção, abrigo... E chega uma hora que a falta disso é tamanha que só restam lágrimas para expressar. Também sou assim choro se preciso for, que achem drama, mas eu sinto, então faço questão de sentir até o fim!

Filipe Dias disse...

TExto muito sincero.
Fragilidade todos temos, mas dificiilmente assumimos, o que é uma bonagem mesmo.

NANDo disse...

"Seres humanos: chorem, façam de suas vidas uma novela mexicana. Alguém vai assistir e vai querer te ajudar"

concordo plenamente

Wanessa Carvalho :) disse...

ah eu li os três primeiros paragrafos , kkk , mais tá de parabéns , muito lindo !! *-*

Beijos :]
www.wanessacarvalhoem.blogspot.com

Mariana disse...

Nossa, seu post é praticamente do mesmo assunto que o meu! Coincidência!
Eu sinto o mesmo, quem nunca quis fazer um drama sem ninguém perturbar? Eu acho que nós chorarmos, nos irritarmos etc é fundamental para que nós acordemos para fora e para dentro, se me entende. E quem não entende esse direito ainda tem de viver.

Jack Leonel S.S. disse...

REALMENTE, É UM TOLO AQUELE QUE ACREDITA QUE A VIDA REAL É UMA NOVELA. O MUNDO LÁ FORA É CRUEL, DÓI E NÃO TEM DUBLÊ.

PASSA LÁ:
http://odiariodejacksteps.blogspot.com/2011/10/conquista.html

Isabelle Meuser disse...

Gostei muito da reflexão. Consegui me encaixar direitinho no texto. Muito bom!