9 de novembro de 2011

Vini Vidi Vici

Sufoco

“O que me trouxe até aqui foi a loucura da minha pequena imaginação. Pense comigo: a gente chora, ri, ama e tudo que há de bom e ruim acontece um dia. Vai acontecer de novo. E sabe que de novo? Então: digo que é loucura, digo que é insanidade, digo que isso tudo é humanidade. Não há ser-homem-desumano que nunca tenha passado por tudo isso. Se houve, não é ser-gente-humana. Ai. Dói tudo: os olhos de tantas lágrimas machucar. O coração de tanto amor para sufocar e tanta dor no dedo tentando uma morte que não vem. Daí a gente vai caminhando, seguindo e vivendo-a-morte-nossa-de-cada-dia.”

Daí

"Daí você grita e alguém apenas olha. Você fala e alguém apenas ouve. Você chora e alguém apenas silencia. Você vive e alguém apenas te mata!"

Fodidoamor

“Quem fodeu seu amor? Quem? Me diga. Quero matar quem fez isso. Não podia ser normal, como aquilo que onde falta o amor as pessoas simplesmente se separam? Mas foderam com o seu. E isso eu não acho justo. Preciso descobrir quem fez isso e por que o fizeram. Que culpa tem os outros por lhe terem fodido o amor? Oh! Talvez precise retornar e tentar novamente. Acredito que o amor fodido pode estar em precisando de cuidado. Por isso deve-se deixar que alguém cuide dele. O “poeta” faz bem isso. Cuida do amor. Dá sentido a vida. E organiza o caos. Bem, o caos é bom; mas o coração é um lugar onde habita coisas boas; por isso lá é responsabilidade do poeta. Palavras movem; ações arrastam. O poeta veio para isso. Se abra e viva… O poeta está para salvar e dar amor.”

Diferir

“Talvez possa feria ou simplesmente diferir. Nada é certo. Nada é concreto. É tudo fumaça. Pode pensar que a destruição seja o novo começo. E eu possa achar que a (des)destruição não seja necessária. O que vale, é saber contrapor as estranhezas e deixar seguir. Nada é verdade absoluta. Nada é o melhor. Simplesmente é bom. Como pode ser ruir, caos e fútil.”

Clareia

“Que gosto tem deixado no copo? Será que a lata tomou sua forma? Questionamentos de uma mente insana e de uma brisa suave. Leve; talvez assim sinta o corpo de quem te tira para dançar. A festa está acontecendo e nós vamos estar lá. A noite vai ser boa. Olhos voltaram-se para nossa presença e muitos serão os que nos julgarão. Não temos medo, estamos a brindar o fim do entardecer, com uma garrafa de um destilado vagabundo, pois o que vale é a sensação daquele momento. Que venha a ressaca do dia seguinte. Talvez uma bad trip. E um cansaço de tirar-nos a alma. O que vale Clara, é clarear!”

Pouca coisa

“Tenho dentro de mim sensações desafiadoras regada ao pessimismo de não ter coragem de coloca-los para fora; deixar fluir.Palavras tem essa finalidade. De expor tudo aos poros, sem o medo de que o leitor de sua prosa, venha a desvendar de maneira clássica seus segredos mais loucos e indecentes (mesmo que essas poucas linhas já o tenha revelado).Meus pensamentos são pornográficos (e tudo deveria ser assim - expostos sem julgamento) quando desenho meu protagonista nú e o desejo (mais) intimamente. É o espetáculo para maior de dezoito anos acontecendo nos palcos de minhas estréias.Um desejo dedilhado por cada detalhe do meu menino, como chamo esse personagem.Expondo-se a mim teu corpo, pele, boca e cada gota de seu líquido quente, teu esperma…São os piercings e toda sua body modification que reluz na minha idéia sadista. Suas loucuras e suas taras somadas as minhas loucuras e as minhas taras.Resta-me o insano momento por detrás da coxia e o texto que pude escrever numa tarde abafada; entre cigarros de bicha e uma Vodka barata. Diminutiva ao gosto de uma deliciosa groselha gelada.Tocava uma tal Foals-Caribou-Broken Bells enquanto desenhava essas letras tortas no papel.Escolhi o final e ele me cheira a clichê em demasia: a gente beija, se pega e a luz acende. São os pastores em busca das duas ovelhas que se perderam. Não tem o final certo, como nada é absolutamente verdadeiro.Não se trata de um best-seller nem do filme mais visto do ano. O fim é incerto. Retornamos a consciência de que tudo ainda não passa de um interminávelrascunho.”

12 comentários:

Sandro Mangueirense disse...

Maravilha de texto. Na verdade um desabafo, desaforado, um grito de quem está de saco cheio dessa sensação estranha que é comum aos dias de hoje: ser humano. Sim, ser "humano", ter sentimentos, ser alguém sensível e suscetível é algo inimaginável nos dias de hoje, em que nos tornamos personagens num mudo cada vez mais virtual, e cheio de fotografias que não irão desbotar nunca. Como é bom ser humano e não sentir-se culpado por isso...

http://estacaoprimeiradosamba.blogspot.com/

Lucas Nuti disse...

É muito difícil ser. Ser pleno, ser você, de verdade é uma luta constante, diária, mas que quem está disposta a lutar se sente verdadeiro e si próprio.
Gosto dessas reflexões!




http://alteregodonuti.blogspot.com/

vampirosnaovotam disse...

Saudações, bolsa de sangue ambulante!

Excelente texto. Reflexivo, intenso, com uma ortografia impecável.

Parabéns!

@vampirobira

Blog UaiMeu! disse...

Emoções e sentimentos diversos.
Abraços

Wanessa Carvalho :) disse...

o 'Daí' faz sentido.. kk

http://www.wanessacarvalhoem.blogspot.com/

Sombra disse...

beleza o texto, parabéns, continue criando textos assim!

NANDo disse...

Sempre estamos buscando novas coisas. Otimo texto

Caroline disse...

Você escreve muito bem!
Parabéns pelo texto, parabéns pelo BLOG!

Blake disse...

Gostei do final: "Retornamos a consciência de que tudo ainda não passa de um interminável rascunho".
Uma grande verdade! rs

Obrigada pela visita lá no Sook. Seguindo aqui também.
BjO

Blog UaiMeu! disse...

Ja comentei nesse post anteriormente

Ninguém disse...

Quem fodeu o seu amor? Poderia acabar normalmente, mas alguém fodeu com ele!
Cara, quando li esta parte tive vontade de me levantar e pegar um cabo de vassoura! (pra me vingar de algum culpado) Mas acabaria espancando a mim mesmo, em primeiro lugar...
Mto bom a forma que vc toca os leitores com esetes textos mais do que realistas! (Embora a verdade não seja exata, neah?)
Parabéns!

Aline Diedrich disse...

E é de rascunho em rascunho que se escreve um bom livro - uma boa vida.