4 de janeiro de 2013

Polegares


Escrevo num dia que a chuva quer cair brusca, mas não cai, tem receio dos olhos e palavras de julgamento a seu respeito, por mim, a chuva cai bem forte, bem audaciosa, bem gostosa. Mesmo tendo obrigações a cumprir, encontros marcados, eu quero que a chuva caía de uma vez, para poder depois, usufruir do resto da noite que me cabe, com quem eu amo ou simplesmente goste, quero a chuva para afogar o tempo quente, para lavar a alma, para desenterrar depois de tanto bater na terra, as sementes de mim mesmo plantadas em meu jardim particular.

Deito e me levanto. Estou incomodado com tudo e todos. Algumas coisas estão fora do lugar, fora do controle. Minha possessão por liberdade, minha e de minhas palavras; minhas e com as palavras alheias que sobressalta quem se dirige a fala a mim; minha e o mundo que lá fora parece andar mais veloz e cheia de compromissos do que eu.

Escrevo com os polegares. Deitado, tenho passado a escrever diretamente no celular, utilizando-se de dois dedos apenas, melhor que nada. Melhor que deitar e só me lamentar e adquirir uma cara emburrada e sair do quarto, de casa com a cara de que estou intimamente sofrendo por alguma coisa, por um amor conturbado, por umas amizades que se liquefazem.

Estou aprendendo a ocupar o tempo que permaneço deitado. Na cama, não só durmo como oficializo em mim os prazeres carnais, aprendi a usar do tempo jogado no colchão para dar vida a algumas coisas que dentro de mim precisam despertar. Escrevo com os polegares e a tecnologia nesse instante se torna fundamental, pois me faz levantar as asas de minha imaginação.

Se tem horas que celulares são as piores coisas do mundo, em outros momentos, são maravilhas para todos nós. Cada um, precisa aprender a usá-lo de uma forma que venha a trazer algum tipo de acréscimo. Aos cantores, gravar suas vozes em tom de música, dar sabor as partituras que se formam em seus pensamentos; aos escritores, soltar os versos e desenrolar as prosas; aos amantes, dirigir palavras de profundo amor; aos amigos, ligar nos momentos oportunos para dar validade e atestado de que ainda temos com quem contar. É a inteligência tomando o espaço do que era para ser mais uma coisa fácil.

Escrevo com polegares e deitado, porém, estou acordado, vivo e ando por dentro de mim. Preciso conhecer os meus espaços, ajeitar o quartinho da bagunça e, sobretudo, trazer para o meu mundo, quem está disposto a somar com a decoração de minha alma. Hoje, quero a visita dos meus grandes amores, que se dividem em namoro, amigos, familiares mais chegados. Quero que entrem pela porta da frente e sintam-se a vontade e que venham para celebrar, o que há de bom e assim, eternizar no meu lado sentimental, a razão que me faz mais humano.

Um comentário:

Rafael Alves disse...

Incrível é a forma como o desabafo começa com um sentido e no meio de texto faz a volta deixando claro que estamos bem melhor do que estávamos no primeiro parágrafo. Qual o problema de dois dedos para escrever? Se o dois sempre foi o número certo de asas que precisamos para voar. Parabéns, curti demais.