28 de fevereiro de 2011

Minha caixa de giz de cera


O que nos resta para livrar-se de toda a maldade inconsciente é tornar-se transgressor de sua própria arte. Não interessa o material posto a mesa. Poucas coisas valem a pena, o que importa é encontrar um prazer inesgotável. Não ter medo de transcorrer a obra a qual somos chamados a desenvolver.
Pegar-se-á a pequena caixa de giz de cera e torna-lá um pecado mortal. Desenhar em suas paredes. Escrever anedotas. Desenvolver sonhos. Dar vida a manifestação imprópria que somos. Bailar, correr, gritar. O que vale é a expressão submetida a anseios de uma eternidade presente. Precisamos mandar para longe autoridades que impusemos por medo de se tornar livre.
Existe um momento que transcorre da nossa imaginação à nossa ação. Tem que se tirar qualquer barreira que impede a junção das duas coisas e deixar-se esvaziar-se tudo. Deixar que elas se encontrem e transbordem até um ponto onde não podemos mais suportar e entregar-se como que num passo de morte, afim de se viver a experiência da Criação.


Dê-me um pedaço de carvão e lhe farei um quadro, pois tudo na arte
vem do sacrifício e da determinação. (Francisco Goya)

Tudo o que nos foi dado com certa astúcia moral, deve-se apenas ser levada em consideração quando não se quer viver. Quando não se a força de ser quem se é e se alimentar de nostálgias que não são suas.
Tornar-se criador é tornar-se imoral no ponto de vista que muito se perde por certos princípios ideológicos criados simplesmente para quem o criou. Imitação perfeita é história de quem não sabe o que ter vida própria. De quem não ousou ousar.

Se alimentar de sonhos alheios é atestado de incapacidade. Tornar-se sonhador dos próprios sonhos é superação de valores inquestionáveis.
Temos em nós uma miséria de coisas mal resolvidas que nos foi dada partir do momento em que se acreditava no processo criativo individual.

Não somos textos prontos. Devemos ter a consciência de que somos frases, cheio de vírgulas, vulneráveis a mudanças quase que constantes, dentro de um eterno processo de inconstantibilidade. Não podemos abrir mão do que somos nós, para o desenrolar de plano fatídico do outro. O que podemos é unir, mas nunca se deixar usurpar da individualidade.
Portanto, risque o muro intelectual herdado pelos nossos méritos. Cante e dance as estranhezas que só sua imaginação é capaz de criar e que não interessa a ninguém além de você entender. A compreensão de nós não se dará fora de nós. O outro não tem o direito de intervir em seus projetos. Volto a repetir. Podemos apenas compartilhar as idéias, mas nunca, em momento algum, deixar-se que a obra incompleta desenvolvida por você, seja completada por um ser que também deve estar comprometido em concluir a sua própria obra. O que existe é apenas um encontro. O que não nos torna portador de vidas alheias. Somos seres livres de máculas alheias, mas rabiscados com nossa fantástica caixa de giz de cera.

4 comentários:

Anonima disse...

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MikaelMoraes disse...

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lindo, mto lindo msm
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Gustavo disse...

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