29 de dezembro de 2011

Fracasso


Se for verdade que tudo passa, eu já estava desesperada. Eu precisava que as coisas fossem, mas estavam demorando, desmoronando e eu ia e vinha de doses de instabilidades psíquicas e emocionais. Queria que tudo já tivesse ido mesmo, mas não foi e não ia, apenas vinha. Já estava ficando louca com tudo a minha volta, pois via repetir as coisas. Tudo se parecia com ontem e o ontem já tinha sido calvário demais. Ele ia, eu ia, ele vinha e eu vinha. Precisava apenas que um partisse e o outro ficasse, mas não era mais assim, ninguém admitia mais, o fracasso, a derrota, a falta de amor que nos abateu, o tesão que se perdeu, os corpos que se repeliam.

Não tinha mais aquela vontade devassa de fazer do seu mundo, o meu mundo. Já tinha passado a vontade dos filhos, da casa, das escovas de dente juntas. Já havia passado a sensação de borboletas no estomago e os pés que antes perdiam o chão, teimou em tocar o piso frio. O lençol já está separado e de vez em quando, alguém dorme no sofá da sala, assiste televisão no quarto e o outro vai ficando, cumprindo um ritual que não serve mais, que não funciona.

Um se tranca e o outro sai, vai ver os antigos amigos, bebe, usa uma droga qualquer, só para despistar as emoções e o outro fica, chora e se lamenta e se pergunta, questiona o motivo de tentar manter o que está desmantelado. O casamento acabou, ou nunca existiu. A união durou o tempo suficiente de terminar alguns tubos de pastas. De socorrer depois de acabarem alguns rolos de papel higiênico. Depois que a panela de pressão explodiu. Tudo acabou e restou o fracasso em doses pequenas e logo grandes e, contudo, desconcertantes. É olhar no espelho e perceber que a imagem que se unia, a minha e sua já não ocupa o mesmo espaço. E o espaço físico já não é mais descontentamento é razão de pura falta de compatibilidade. Amor. Queria te chamar de amor, mas outras coisas bem ofensivas me vêm à cabeça e eu me calo, mas você não poupa. Quando não sou eu a sair e beber é você, mas diferente, tu vem e cospe suas verdades, suas asneiras, suas concepções sobre mim e eu me trancafio e choro, depois grito por dentro, rasgo qualquer lembrança, mas uma coisa fica, sempre fica e não passa. Nada vai para sempre, as vezes volta e disso tudo, a gente vai caindo e levantando. Como sempre, vou morrendo em doses pequenas e sei que sente prazer nisso e a culpa é sua e minha por não saber responder e nem para me defender.

Tudo bem, se tudo passa, uma hora vai passar. Se não passou ainda, o meu lado sentimental diz que é porque ainda tem jeito, como tudo na vida, também de jeito. Das doses de fracassos, vou me alimentando das suas decepções e enquanto isso fique a vontade para sugar de mim, as minhas frustrações. O fracasso meu bem, nos subiu a cabeça...

6 comentários:

Raquel S. Ramos disse...

Seu texto é muito bom e envolvente, mostra bem o cotidioano de um casal fracassado, como sujere o título e a música de Pitty.

poeticadepensee disse...

Nossa adorei o texto e ter colocado o vídeo de Fracasso! Amo a Pitty!

Arash Gitzcam disse...

o livro WE é uma ótima escolha sobre esse tema...

Alex Monteiro disse...

Noossa, muito de acordo o seu texto
Parabééns :)
Não sou fã da Pitty mas devo dizer q ela é uma Ótima artista :)

Renato Sousa disse...

A literatura imita a arte e a Arte imita a Vida e sendo assim a Literatura imita a vida seus textos expressam bem o sentido de literatura parabéns .

Lulis Paz disse...

Acho que tudo que tu escreveu é uma perfeita definição da música =D
muito bom hein


www.luliskd.blogspot.com

O post é meio grandinho, mas leia pra poder comentar por favor *-*
Último do ano haha.
Comenta aê vai. =]]]