27 de dezembro de 2011

[A]Tração sacerdotal


Paixões proibidas são tão emocionantes. Ainda mais se vividas por aqueles que não podem, mas como já se sabe: quando um não quer, dois não fazem... e os dois burlaram as regras. Longe do ato cristológico da coisa, quero anunciar, sacralizar. O sagrado e o fútil. Recorro ao amigo mais próximo, ele recebeu o dever somente de me ouvir, dificilmente fala, se esquivou quando tentei fazer dele, o meu evangelho particular.

Lanço sobre esse terno amigo, meus atos insólitos e mesquinhos. Sua pouca vida, recebe um pouco de cor quando traço sobre ele, meus símbolos particulares e desenho a minha notória infâncibilidade. Amigo, só tenho um desejo: encontrar debaixo das vestimentas, a pessoa que seduziu me pelo pouco que trajava por baixo. Aquele mesmo que me mostrou um outro céu, sem medos e sem reservas. Mostrou-me que o pecado era não cair em tentação.

Descarrego aqui, sobre os meus dedos a terrível ilusão de não estar mais tão presente naquele corpo, branco e quente... despido. E tão longe daquele mesmo calor que me propunha numa longa noite de outono brasileiro. Seu nome? Recuso a repetir, pois ressoa de uma forma vazia em minhas lembranças, mas o gosto daqueles longos e demorados beijos, se atualiza ao pensar que naquele dia, vivemos a tentação de fato em carne.

Mas afinal, quem será responsabilizado por isso? De fato, caberá ao sagrado a maior parcela dessa culpa, pois foi dado a ele toda a consciência de pecado. Esse mesmo foi tão feroz e quente... amante. O castigo também caíra sobre o pobre jovenzinho, tão fútil... Sábia que aquele que se dizia intocável, vestia sobre si a melhor fantasia de lobo-mal. Pobre rapaz, passeava pelos arredores travestido em pele-de-cordeiro.

O fato me deixou transtornado quando recordo-me que não era tão inocente assim, meus 19 anos... Lobo-mal, o grande sagrado das utopicas histórias; jovem, tantos planos indecentes se passou pela sua cabeça. Parece que conseguiu o que queria. Eternizações que foram soltas quando os corpos se ataram num ritmo sexuado, em uma intensa noite de outono.


"E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer; eu vou sobreviver..." (Apenas mais uma de amor - Lulu Santos)

3 comentários:

Jacqueline disse...

Legal!Parabéns pelo blog!

Caíque Fortunato disse...

Te conheci pelo blog da Zilda, o Cachola Literária e de lá venho acompanhando os seus incríveis textos, tento não perder uma coluna sua. Obrigado por seguir o meu blog, estou retribuindo, e é bom conhecer o seu, agora vou poder ler mais os textos refletivos que tu escreve. Gostei muito desse texto, continue assim. Desejo a você mais sucesso.

Abraços
http://entrepaginasdelivros.blogspot.com/

M.alves disse...

Parabéns pelo texto, espero mais. Valeu!

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