5 de dezembro de 2011

Alegria em uma nota só


O menino não gostava de festas, não gostava de aniversários, não era aberto as experiências que cada ano proporciona. Um jeito particular de ser e ver o seu mundo. Não que fosse um pessimista, mas encarava os festejos anuais, enfadonhos demais para quem só queria permanecer jovem, mas com o pesar do tempo, ia percebendo que não seria para sempre. Não tinha medo de encarar as responsabilidades, mas ainda sonhava como criança, agia como um jovem transviado e a vida adulta de fato o atormentavam diante das impossibilidades de poder fazer varias coisas ao mesmo tempo, com furor e agilidade. Adeus sonhos de adolescentes.

Um dia, anterior ao acontecimento que o menino não gostava de festejar, uma inspiração ou qualquer coisa do tipo, abriu-lhe a mente de que era inegável que no dia posterior, recairia sobre seus ombros o peso de mais um ano. Já havia passado pelo ansioso dezoito anos, passou também e muito bem pela crise dos vinte e chegava com certo tipo de satisfação aos vinte e dois. Nada demais, a não ser que ele resolveu, depois de muitas indecisões, fazer uma festa. Deu-lhe o direito de sorrir, quando as lágrimas em turbulência cercavam sua razão.

Claro que ele sentia saudade de uma pessoa que não podia estar presente, não fisicamente, mas carregava a certeza de que em pensamento, espírito e amor, alguém muito especial dava a benção. Convidou os amigos, não fez lista, podia contar aos dedos os poucos que por alguma razão, regava algum afeto bom. Não fez escândalo, fez do silencio, companhia da organização de sua party.

Chegou à noite da festa e pareceu que os amigos haviam se esquecido. De fato, ele foi trocado por alguns que preferiram ir ao show dos palhaços; por outros que tinham em uma viagem, o encontro com suas satisfações. Tudo bem, ele sabia que também tinham os que foram buscar Deus e esqueceu-se de regar-lhe a amizade oferecida. No começo ele se baqueou e fez as perguntas condizentes à amizade, mas algumas latas de cerveja o proporcionaram a satisfação de seu lado imoral. Com a caipirinha de vodca, lembrou que era assim mesmo que as pessoas encaravam o grau de elevação da amizade. Ele chorou no canto dos parabéns, sentiu saudades e um pouco de frustração, mas os poucos que lhe eram convenientes e presentes, o fizeram lembrar que ele estava com quem deveria estar e com quem ele deveria de fato se importar.

No final, a festa foi pertinente. Sobrou cerveja, vodca e refrigerante. Sobrou esperança de que alguém pudesse aparecer de repente, meio correndo e lhe desse um abraço. E isso aconteceu, com um estranho que passou diante dele. Era para ser sem perceber, mas o passante notou em sua aura, o amadurecimento de sua emoção. Aproximou-se, pediu licença, sentou. Enquanto ele tomava uma cerveja, o passante se alimentou de refrigerante. Entregou ao aniversariante, um papel, contendo na partitura, uma canção destinada pelo acaso, chamada "Alegria em uma nota só". Os dois se abraçaram e começou ali, aquilo que era para ser eterno, mas que só o tempo diria se de fato era ou não... O que importa é que a canção da meia noite foi aquela que tocou corações e uniu almas! Transformou os sonhos partitura, notas e vida...

4 comentários:

Arash Gitzcam disse...

festa é sempre um mistério...

Anna Gabby disse...

Achei meio dramático, mas há sentido. Já escreveu algo maior que uma crônica?

Abç
Anna
http://anna-gabby.blogspot.com/

Larissa Matos disse...

Adorei o seu blog, estou seguindo!
http://seriesbooksmovies.blogspot.com

Maíra Cintra disse...

Falando sobre o clipe acima, adorei, o nome é bem legal!!