17 de abril de 2013

Heróis marginais

Uma coisa está na moda e não se pode negar. É a onda de vestir camisetas com os símbolos dos heróis de tantas e tantas gerações, de Batman a Chapolin, sim, Chapolin, mesmo sendo atrapalhado e sem noção, é um herói. São heróis de ontem que invadem a nossa realidade e nos faz fantasiar sem parecer ridículo. Porém, até onde foram os heróis? Será que foram perfeitos? Não precisaram de algum tipo de atenção? Será que nunca choraram ou amaram? Será que nunca se sentiram carentes? Não pensaram (na imaginação) em desistir de tudo? Eu acho que sim. Afinal de contas, seres perfeitos não necessitam de atenção de ninguém e ainda que fossem os seres mais poderosos do mundo, em algum momento de suas histórias se demonstraram sozinhos e querendo um pouco de carinho ou uma palavra, ou seja, foram humanos.

Nós seres humanos reais e longe da imaginação de um criador de histórias em quadrinhos ou filmes de ficção cientifica estamos querendo nos assemelhar a tipos arquétipos de heróis que na televisão ou no cinema foram uma maravilha. Acontece que o século XXI está aí e parece que somos de aço e que não sofremos mais com o abandono e que não nos importamos se alguém se preocupa com a gente ou não. Demonstramos pouco o que sentimos e isso a sociedade vai chamar de ser humano maduro que aprendeu com a vida. Mas espera lá! Aprender com a vida nos certifica a sermos rabugentos? Por um acaso quando a vida nos ensina pelas vias mais dolorosas tornamo-nos um pedaço oco de gente?

Heróis não existem. Não esses que enfrentam gigantes e não voltam cansados para casa. Não existem esses arquétipos de que conseguem viver sozinho, trancafiados em porões escuros. Os heróis da vida real são os de carne e osso, que sangram e que choram, que se comovem e que estendem a mão a um caído por aí. Seres heroicos são capazes de se preocupar com alguém e deixa-se ser cuidado quando tudo parece que está sem solução. Heróis e heroínas são esses que acordam cedo e vão à luta, pois sabem que tem alguns tutelados que dependem deles para ser alguém na vida. Poderosos são aqueles que desanimam sim, mas sabem levantar a cabeça para poder passar confiança para alguém e ainda temos os heróis em seus momentos mais delicados, aqueles que diante a batalha da vida, se esgotaram e já não se sentem motivados a continuar a caminhada. Sim. Há heroísmo naqueles que tentaram e não conseguiram.

Heróis sabem que de vez em quando vai bater aquele desespero, uma vontade de abandonar tudo, pular fora, deixar tudo e correr, sei lá. Sentirão uma vontade filha da mãe de desistir. E não é que desistem mesmo? Heróis questionaram a dieta e o motivo de ter que acordar cedo para procurar um emprego se parece que todas as portas estão fechadas. Uai. Dieta para manter a saúde que não é de ferro e quanto às portas, quem sabe batendo uma delas não se abre não é? Somos covardes (coragem).

É idiotice achar-se demasiadamente forte que não precise de atenção e babaquice não perceber que as pessoas do nosso lado necessitam de um olhar mais atento, mais sensível. Uma coisa é vestir uma camiseta qualquer, com um símbolo de um herói qualquer, porém, a nossa vida é real e nosso símbolo maior é a do amor, do cuidado, dos gestos, das delicadezas e gentilezas. Heróis não existem, e ainda se existissem, seriam heróis marginais, pois a luta dos homens de verdade, são as que aproximam os seres e não aquilo que destrói e afasta o que nos é diferente.

Um comentário:

Rafael Alves disse...

Heróis de verdade são os que aproximam os seres... Falou e disse tudo, lindo texto.